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Juros futuros fecham em queda acompanhando preços de commodities

Em linha com o recuo dos preços de commodities no mercado internacional, os juros futuros encerraram o pregão regular desta quinta-feira (31) em queda.

A perspectiva de ampliação da oferta de petróleo e a correção do preço de grãos fizeram as taxas de mercado cederem no último pregão do primeiro trimestre do ano.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 passou de 12,78% no ajuste de ontem para 12,735%; a do DI para janeiro de 2024 caiu de 12,18% para 12,11%; a do DI para janeiro de 2025 diminuiu de 11,51% para 11,43% e a do DI para janeiro de 2027 anotou baixa de 11,33% para 11,24%.

A estrutura a termo das taxas de juros perdeu prêmio de risco pela forte queda dos preços do petróleo, em reação à decisão do presidente Joe Biden de liberar 1 milhão de barris por dia das reservas estratégicas dos Estados Unidos, com o objetivo de conter a inflação dos preços de gasolina. A medida ficará em vigor por pelo menos seis meses.

O petróleo também reagiu ao aumento modesto da produção da commodity anunciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+). Em reunião mais cedo, o cartel decidiu que agora incrementará a produção para 432 mil barris por dia para o mês de maio. O contrato do petróleo Brent para junho fechou em queda de 6,03%, a US$ 104,71 por barril, enquanto o do WTI americano para maio caiu 6,99%, a US$ 100,28 por barril na sessão desta quinta.

Na avalição do TD Securities, a “vasta gama de riscos de oferta” com as sanções à Rússia e a capacidade ociosa extremamente esticada, deve continuar sendo a força motriz do mercado de energia. “Principalmente porque a Opep opta por manter sua trajetória original de aumento de produção, apesar dos pedidos para compensar a queda das exportações russas”, escrevem os estrategistas de commodity do banco Bart Melek, Ryan McKay e Daniel Ghali.

Já sobre as commodities agrícolas, na bolsa de Chicago as cotações de soja e trigo registravam perdas de mais de 2% no fim da sessão, também aliviando as taxas de mercado.

“As commodities em baixa lá fora tiraram a pressão da curva de juros. Deu uma leve dissipada nos temores gerados pelo IGP-M que veio pressionado ontem”, diz o diretor de tesouraria do Banco Fator, Bruno Capusso. “Mas o BC de fato é o que tem sido o principal driver desde a última reunião do Copom. Foi o que fez os juros caírem bastante com a sinalização de que pretende parar nos 12,75% de Selic, patamar condicionado ao nível das commodities.”

Segundo Capusso, a dinâmica do dóView Mídialar, que permaneceu em queda nesta quinta, continua demonstrando que a recente alta acumulada pelas matérias-primas e o elevado diferencial de juro da economia brasileira com o exterior sustentam a apreciação do real. “Olhando um horizonte de 30 dias, creio hoje que a chance maior é o dólar estar mais baixo do que está hoje”, afirma o profissional do Fator. “Não sei se muito mais para baixo, mas as forças atuando hoje vão no sentido de apreciar o câmbio.”

Vale observar, ainda, que o contrato de DI mais líquido da sessão era o com vencimento em janeiro de 2025, com 450 mil negociações por volta de 16h30. O forte volume de negócios em comparação a outros vértices se deu em meio à expansão da oferta de LTN, que passou de 11,15 milhões para 18 milhões de LTN, concentrando-se no vértice de julho de 2025 (12 milhões). A venda dos papéis foi integral, com o Tesouro emitindo R$ 13 bilhões.

O perfil mais alongado da oferta fez os termos de risco (dv01, métrica associada à variação das taxas futuras) do leilão crescerem 60% na comparação semanal, para R$ 2,2 milhões, de acordo com dados da Necton. De maneira simplificada, papéis mais longos da dívida prefixada implicam termos de risco maior.

Segundo o trader de renda fixa de uma gestora de recursos carioca, que prefere não ser identificado, agentes financeiros estão migrando de NTN-B (juros reais) para LTN (taxas prefixadas) no mercado de títulos. Ele afirma que as taxas de inflação implícita seguiram se corrigindo para baixo hoje de forma significativa, ficando abaixo do nível de 7% nos vencimentos de NTN-B para 2022 e 2023.

“A retirada de prêmio das implícitas causa a venda de NTN-Bs”, afirma ele, citando uma quantidade vendida “expressiva” de papéis atrelados à inflação. “Então, tem a leitura de que o mercado está saindo das NTN-Bs e indo para o pré via LTN. Hoje, com o leilão de prefixados maior, essa leitura é ratificada.”

Paulo Nepomuceno, analista de renda fixa e derivativos da Mirae, avalia que o vencimento de R$ 126 bilhões em LTN para amanhã também atrai a atenção dos investidores para os prefixados, justificando a oferta graúda do Tesouro. “Chama demanda para o pré. E, em tese, o apetite por título prefixado também aumenta quando o BC termina ou está perto de encerrar o ciclo de aperto monetário”, pondera.